
Ópio
Data 11/12/2020 04:14:24 | Tópico: Poemas
| Meu peito dói nessa insana insônia, de um peso intoxicante Seria ópio ou cicuta que porventura me teria sido oferecida Seria a proximidade do abismo que separa das verdes matas Sabendo que a flor está sobre a relva, logo adiante, no chão Por mais que eu aspire ao dom da sorte, a solidão me segue A febre, o desengano e a pena de viver sendo pobre mortal Falta-me a cor de teus lábios a brilhar para me saciar a sede Que falta me faz sorver um lento gole de vinho refrescante Embriagar-me até chegar ao nada, dissolver-me até esquecer Mas em verdade não aprenderei jamais, vou amando de novo A mente hesita, mas o peito voa nas asas invisíveis da poesia Onde se ouve o canto que abre janelas encantadas ao perigo Logo terei contigo minha fada estelar a noite é suave e linda Sinto a seiva que perfuma o bosque e suas árvores selvagens Onde fugirei contigo entre a brisa, em meio ao musgo verde É a estação das madressilvas e das violetas a viver tão breve A fantasia é um véu feito de ilusão e sonhar é o meu ofício Devo partir, minha musa me espera a música não pode parar
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