
Ode para quem matou o amor por ciúme.
Data 09/12/2020 15:15:00 | Tópico: Poemas
| Como me ouvirás a voz se aquiesceres que as estrelas fujam entre nuvens Se na calada da tarde deixares que inutilidades assumam o lugar do amor Se o ciúme que incendeia a dor, oxidar a esperança, germinar as ausências O que imaginas, te decretando que desertes de nós, se só tu é que me tens
Se acho força para renascer a cada aurora eu o faço por esperar teus beijos Então porque imaginas que vivo tudo aquilo que já releguei ao esquecimento Onde pensas encontro alento a cada despedida de tua necessária presença Senão na lembrança de tua luz diamante que é a matéria essencial da vida
Não abandones ao vento avaro da suspeita as flores que estão à tua espera Por ti despertei do sono e me atrevi reabrir janelas para os riscos do amor Consenti que uma insuspeita pulsação revelasse esse sentimento contido Para anos depois de morto, suspirar novamente vivo, para cavalgar o zefir
Não permitas que o gris interminável retome os céus com seus fantasmas Nada existe do outro lado de nosso amor, senão ácidos tempos acabados Não te vês nestes singelos versos que são a resistência ao silêncio diário Que o passado restou apenas no passado e que és a única luz que emerge
Não te dás conta que estando juntos somos a melhor definição do eterno Que as esperas que temos que nos submeter não podem ser de desespero Mas são o prólogo de novo capítulo, onde tudo além de nós é anonimato Tal qual o vinho que delibamos a preceder infindáveis estações sublimes
Percebas que a fome de ti me preenche os poros e me cantes uma canção À luz de vela toma-me, entrega-te, liberta teus desejos mais impróprios Cultiva gemidos entre lençóis e te olvides de tudo mais, afora setembro Escrevo somente por ti, e o faço com pedaços de mim, a cada entardecer
De nada adiantou, as dúvidas infundadas drenaram toda a seiva do amor e a árvore que se cultivava, secou.
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