
Incógnitas
Data 07/12/2020 17:17:17 | Tópico: Poemas
| Uma aluvião de incógnitas se move destro em minha mente Fomenta ideias fugazes perpétuas e suas hipóteses à deriva Pelas voltas de meu cérebro espiritado nestes dias em Virgo Nas lembranças do remoto cantar azul do pássaro de outrora
Em transe ou transitante como um gravitante bumerangue Levando meu olhar efêmero às possibilidades do mediato Abre-se a névoa a suavizar os vértices e suas reverberações Volto por caminhos que lindam aqueles de remota infância.
Visto a máscara da espera para aguardar os acontecimentos Sou meu sósia a habitar meu corpo como um acólito da vida Ou um hóspede desertor que bandeou do real para o poema Precoces conceitos definem os caminhos a serem seguidos
São terríveis as escolhas nestes tempos de desencantamento A angústia adere às irrespondidas perguntas, ocas e voláteis Só me restando como mimo ou deleite estes versos sem rima Para desmistificar os sentimentos ausentes ou inencontráveis
Sei que dei de mim e esse dar encontrou um vazio infecundo De gente sem fé, de papel sem pauta, de noites sem amantes Eu ainda canto por dunas desertas pois sonhar é minha sina Mesmo sabendo, e como sei, que os sonhos são tão voláteis
Inserto num cosmos gris de noctívagas conjecturas dislates Aguardo o dia, sempre insone, que a resposta chegue clara Livre dos musgos das aparências e das plumas das alegorias Simples, leve, alicerçada na verdade, no silêncio e no amor.
|
|