
Horas Mortas
Data 04/12/2020 01:15:34 | Tópico: Poemas
| Essa amargura feita de angústia me persegue noite adentro Essa melancolia das horas mortas que se contempla o nada Que tira do rumo um projeto de futuro pelo tempo efêmero Eu que já fora faminto pela eternidade já não mais a almejo E os vorazes minutos devoram a parca areia da ampulheta Que criatura sou? Que pensa, que sofre, que ama, que sofre Do pó ao pó, iludido, sobrevive tão-só para um dia morrer? Sozinho pelo inexorável tempo até que a terra o consumirá No negro silêncio dos céus sem estrelas jaz toda esperança No inconsciente o visgo da culpa de ter tentado me refazer Não mais me assoma o esforço ingente de soerguer as asas E voar rumo ao horizonte onde acreditei que more a poesia Mas é tarde, já não há volta e o sonho se quedou no oblívio Sou uma caricatura triste de mim mesmo alisando palavras Meu coração já não bate, se esconde no peito que o alberga De tudo, nesta malograda aventura, não há herança a legar Só horas a fio em luta contra a aridez da mente e do papel Contudo, amparado pela teimosia, sigo, claramente errado Numa inútil refrega por um momento mágico de inspiração Em que a pena acarinhando versos me torne, enfim, imortal.
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