
O espelho mágico e os fantasmas
Data 30/11/2020 22:05:31 | Tópico: Poemas
| Quais seres dormem, na penumbra, atrás da estante no vazio da sala Serão filhos das lembranças que me chegam como açoites no escuro Volto meu olhar à porta entreaberta, não há carros nas pedras da rua Nem bêbados, com seu passo peculiar, na calçada tomada de silêncio À minha esquerda há o espelho mágico e os fantasmas atrás da porta Meu corpo se ilumina como se outra pessoa residisse dentro de mim Mas sou eu mesmo entre esses cenários, encantos de mares e nuvens Escrevo o poema de olhos úmidos, sem promessa ou arrependimento Desenho frases na alma como vejo nas estrelas e na canção das águas Recordo os sonhos e reinvento os finais, que os faço bordados de sol Minha mente resta inquieta destas vozes que escuto e não reconheço Na tarde sem sal, não vejo saídas e lentamente desfio os fios da sorte Aquela solidão eterna de outros tempos que devem restar esquecidos E enfim romper os alicerces da existência machucada de maus tratos No oceano de naufrágios quando se navegou à beira do fim do mundo Nos abismos do esquecimento. Da cera moldada se que derrete ao sol Finalmente, abro a página da vida que descansa à sombra das árvores Reconheço que ora estou indo na direção do desejo para meu amanhã Em um amanhecer tardio, a dor se apaga na distância, tudo haverá vir Mas não poderei ficar esperando tudo acontecer, não é assim tão fácil É que tudo o que outrora possuí, hoje é o símbolo de um grande vazio A página do poema, por fim, repousará refugiada do vento incessante
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