
Divagação de um poeta na noite de sua vida
Data 27/11/2020 00:57:46 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Nesta solidão que me cerca Eu contemplo o seu olhar a me conduzir Ao infinito do meu pensamento Que procura nas lembranças de tempos remotos A alegria do seu sorriso nas manhãs de primavera. O tempo passa lentamente nos olhos cansados E a brisa da tarde chega suave espantando o calor De um sol amarelo que procura se esconder No horizonte distante Atrás das árvores refletidas nas águas a serpentear As colunas de areia. Tento esquecer o seu sorriso que tanto me acalentava Seus olhos a me dizer o que havia no seu coração Sua forma esbelta de olhar para as nuvens E deixar os pensamentos Escorrerem pela sua boca pequena. Há uma profunda dor que incomoda lentamente E aumenta conforme as horas vão passando. É como se as areias da ampulheta quisesse dizer Que o tempo não volta mais. Na verdade eu já sei de tudo isso Mas parece que as respostas para as minhas perguntas Já não são capazes de convencer-me de que a realidade É esta mesma que está diante de mim. Observo o beija-flor que bate suas asas incansavelmente E paira no ar como se me olhasse E eu quero ser livre como ele. Então deixo escorrer de meus olhos aquela lágrima teimosa Que procura fugir do silêncio que me cerca. Percorro as campinas verdejantes a minha frente Mas nem sei se são verdes as folhas que contemplo. Meus olhos confundem-me a todo instante E o que sinto nem sempre é o que estou sentindo Pois meus sentimentos são como as miragens do deserto. Você é como essa estrela que estou olhando Que vejo brilhar e ofuscar a minha visão Então levanto as minhas mãos e você se afasta E quanto mais corro em direção a ela Mais longe ela fica de mim. Não sei porque foi preciso caminhar nesta estrada Que só me prende as lembranças De um tempo que não volta mais. Meus dedos estão encurvados Eles nãos querem mais escrever sobre isso Querem um descanso para seus ossos e músculos Mas o pensamento divaga Eles precisam ser pontuados e eternizados neste papel. Não adianta pensar tudo isso e não falar Onde mais encontraria respostas para estas perguntas? Não são as respostas que movem o mundo Mas o que seria do mundo se não houvesse as perguntas? Agora meus passos são lentos Não tenho pressa mais de chegar a qualquer lugar Quero olhar tudo a minha volta Sentir o perfume das flores e ouvir o canto dos pássaros. Não me importa a distância Nem o medo pode me afastar de buscar essa esperança Esse olhar que se destaca na multidão. Na minha mente há uma enorme confusão Perguntas sem respostas me torturam Pois preciso saber quem é você E como surgiu assim na minha vida. Não pode simplesmente aparecer do nada e mudar tudo assim Sem uma explicação plausível. Agora eu preciso ir Para o meu caminho E preciso esquecer tudo isso Que permeia os meus sentimentos. Só quero sentir suas mãos suaves a acariciar meus cabelos E sua voz me dizendo para acreditar nos seus olhos. Eu apenas quero deixar o vento levar meus pensamentos E meus dedos registrar O que sinto no meu coração Nesta noite de nostalgia Quando penso no seu olhar tão lindo. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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