
Apocalipse 27
Data 16/10/2020 02:36:56 | Tópico: Poemas
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O céu segue coberto de infausto cinza enquanto a tarde se vai O estilar de chuvas negras há muito habita este árduo parcel Dos antigos sonhos cativos na luz, só restam remotos signos Nos galhos secos do arvoredo já não lhe pousam os pássaros A ausência também se despenha, sorrateira no amargo do fel No espelho baço da memória que exprime uma réstia de dor Da ave caída, da paixão esquecida e da solidão que precipita
Não há lembranças a abrigar, que se foram daqui uma a uma Logo virá o silêncio, as linhas em branco e o espelho partido E, quando se for o poema, morrer-lhe-á aí o solitário coração Não haverá remotos vestígios dessa vida que um dia se viveu Sobrará o tempo de vozes caladas, estremecidas. Desventura. Chegará enfim ao sono que nenhuma pálpebra poderá ocultar Sob um sol de mistério, sem azuis celestes e sem alvas nuvens
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