
DOUTRINA
Data 06/10/2020 03:31:21 | Tópico: Poemas
| É o tempo que passa E nos arrasta com ele. Somos leves qual pássaro Que, dentre os assobios das brisas, Voa sem destino pelas veredas Sem portos, sem estações.
Somos sobreviventes anônimos Das infecções virulentas e bacterianas Que assolam um planeta já febril. Somos vítimas e assaz testemunhas Das patologias que desregram o social E nos lambuza de efeitos contagiosos.
Felizes somos nós que vivenciamos As arestas desconhecidas das enfermidades E as ultrapassamos com galhardia. Resta-nos uma reflexão íntima A fim de que possamos entender a vida Como suporte sublime da Criação.
Que os conflitos pandêmicos ilustrem Os corações de pedra... Que o sofrimento que gera imposição Possa transformar o mal em bem, A tristeza em alegria, A ignorância em conhecimento, As trevas em luz!
Por si só, a vida é um milagre... As mãos precisam se tocarem, Os abraços necessitam produzir amor Numa confraternização de fé! Que este presente de hoje Possa ser, amanhã, Um passado de transfigurações Em que o orgulho se dobre Diante da humildade, Que o egoísmo se retrate E possa distribuir o verdadeiro alimento Que seduz a alma: o amor!
Viver é estar plenamente consciente Da responsabilidade com o próximo... Que a hipocrisia seja ultrajada Pela verdade que é altruísta. Que as bocas não precisem prolatar O “eu te amo”, pois que seja Esta a premissa do olhar! Que as mortes não hajam sido em vão, Mas sacrifícios que regeneraram O sabor da existência!
DE Ivan de Oliveira Melo
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