
Subitamente
Data 29/09/2020 15:35:19 | Tópico: Poemas
| Há dias que esqueço meu próprio nome e sou apenas aflição Não vejo onde estás e tento não respirar para não sentir dor A noite segue em sua ilusão como quem perde a noção de si Subitamente a lua cheia flutua no céu desnudada das nuvens Um quê empalidecida, um quê ausente na dor desse silêncio
A obviedade da paisagem não pressentida lateja como castigo Sempre esteve ali, diante das janelas mudas dos meus erros Não há mais crenças nem as raízes do que um dia já vivemos Desfaço o mobiliário do olhar e resta tua sombra mortificante Abandono imagens, hábitos e memórias e sei que nada aprendi
As horas me engolem tal areia movediça em meio a noite alta Assusta-me o que não sei e os cômodos vazios me confundem Em um vislumbre tua imagem nua surge e escapa de meu ser Mergulho meus lábios no infinito oceano do teu último beijo No abismo da minha súplica construo um mundo impossível
Debato-me entre meus dilemas, mesclo as soluções, emudeço Movo-me sombrio entre extremos na indizível ânsia de voar Abandono os argumentos previsíveis que brotam como úsnea O imprevisível refaz a memória do amor com que sonhamos Por fim, para que me cobices, quando me tocas já não estou.
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