
Reticências
Data 16/09/2020 17:07:18 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
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As letras e reticências do poema invadem as madrugadas A vida segue quente ao verão que lhe cresta os caminhos Sobre o véu tão gris carregam lampejos e ecoam rumores Mas nada precipita, senão as mesmas lágrimas cotidianas Que proveem da dor do poeta, na arte de lavrar emoções
Não, as raízes poema não nascem do amor bem-sucedido Antes, se veste do negrume que nasce na incompreensão Vem da cegueira intolerante que quer silenciar seu canto Do egoísmo inadmitido que deseja calar seu lado infantil O poeta ama? Oh sim, mas devo afirmar recíproca não há
As horas se multiplicam e não lhe trazem qualquer alento Na melancolia de outrora são inúmeras as páginas viradas O que hoje é uma infinita ausência, já foi um sonho de luz Da inspiração da vermelha lua resta apenas esquecimento Falas faltantes num roteiro inacabado nos teatros da vida
No poema que querem calar, encontrei o esteio à solidão Meu coração foi ferido e sangrado por palavras tão ferinas Que sepultaram a paixão, morta para nunca mais ressurgir Executada sem defesa pelo demônio negro da indiferença O pesadelo nunca existiu, tu o criaste nos legando a vivê-lo
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