
As faces de carvão
Data 09/09/2020 23:12:11 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| 
Chega a noite com suas faces ocultas de carvão a segregar o negrume Espalha-se no ar, entre signos de um sonho azul, uma música antiga Que ecoa pelo concreto da selva urbana, onde agora é tudo distante No silêncio do meu quarto, é tanta solidão que sua sombra faz ruído Ouve-se o mover de passos ausentes e sente-se o calor da ausência Por todas as indagações que quedaram nesses caminhos mal traçados No espelho baço das indesejadas memórias de um adeus que não dei A ventania dos tempos a bater seus cascos por desertos anunciados Os trens do isolamento carregam a dor da tristeza que viaja em nós O grito súbito da noite alerta para a faina diária, na lâmina viva do dia A geometria silenciosa das madrugadas traça a parábola da escuridão Pelas dobras da palavra, o poema frágil e transitório, afinal recompõe As linhas que o destino captou a nos aprisionar em verdades relativas Eu, pássaro e minhas asas em chamas a sobrevoar o pó das estradas Recolho as tempestades em cor e som na perpétua roda dos tempos Apesar da cegueira dos que nos julgam, um novo dia há de renascer Com a luz do dia tudo irá reflorir no sonho límpido da nova primavera
|
|