
O Homem jaz morno e calmo num leito de vida
Data 17/04/2008 12:34:12 | Tópico: Prosas Poéticas
| O Homem jaz morno e calmo num leito de vida. Tudo corre á sua volta. E a pressa afoga lentamente qualquer vontade de agir. Com os olhos muito fechados sente a luz intensa queimando as costas das mãos.Morde as palmas em busca de antigas dores que possam ofuscar o momento. A Luz é intensa demais.Queima.As lágrimas rebentam os diques e o véu carnal rompe-se. Completamente imóvel,como morto,tudo vive. Com um olho na Luz e outro no Desespero a todos entende não julgando ninguém senão si mesmo.Conscientemente contrariado, feliz mas ainda descontente, escolhe levantar-se e Agir. Com especial cuidado queima todas as suas asas ou peneiras e limpa exaustivamente os pés de barro que tanto quer quebrados. Os seus, à tanto, esperados actos são recebidos com júbilo e incentivo. Um brilho estranho ilumina as ruas e as coincidências andam de mãos dadas. Num beco escuro uma loira antiga conversa com um par de sapatos mais viajado que ela. Uma janela sobre o rio mostra o imparável da Vida. Sem querer saber os motivos de ninguém procura os seus e grita-os para quem quiser ouvir. Faz pactos de sangue com ele mesmo e quer morrer por eles. Deus de cima sorri intrigado. Sem nunca aceitar qualquer natureza acaba sendo o mais Natural possivel. Recusando tudo o que não seja Amor acaba rodeado do que realmente É. Conduzindo uma quadriga em chamas percorre o arco-íris esvaziando o caldeirão mágico sobre aqueles que o veêm. Nada querendo, tudo acaba recebendo e retribuindo até ao ideal vazio final. O Homem jaz morno e calmo num leito de vida.
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