
Os devaneios de um caminhante solitário
Data 06/08/2020 18:19:40 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| Nem mesmo as pedras do caminho podem me fazer parar De meus olhos marejados de tristeza Eu escondo uma dor terrível que tomou conta do coração Quando não mais pude ver a beleza de seus olhos. Um caminhante solitário vaga sem rumo Na imensidão desta estrada que parece não ter fim Em sua mente desfila as agruras da vida sofrida E as lembranças de um amor que já não existe mais. Como tudo pode ter chegado ao fim Quando a felicidade já parecia tão real em mim? Sentirei a saudade que tortura-me nas madrugadas Como o uivo estridente do último lobo vivo. Não sinto meus pés que agora sangram Pois estão rasgados pelas pedras pontiagudas do caminho E meus braços são rasgados pelos espinhos Que circundam as folhagens a minha volta. Sinto o calor da jornada se intensificar Na medida em que percorro cada palmo de chão Não há mais esperança para os olhos cansados Que enfrentam a angústia do abandono premeditado. Esse caminhante solitário que percorre este maldito caminho Outrora foi um venturoso cavalheiro nas cortes. Traído pelos seus sentimentos deixou-se conduzir Para um caminho de abandono total sem esperança. Não fale de amor para ele e nem cante suas canções Seus ouvidos já não as suportariam como antes. Deixe-o descansar quando quiser em uma sombra E afogar em suas mágoas que teimam em corroer-lhe o coração. No fundo pode ser que é isto mesmo que mereça Depois de tudo que constantemente fizera. Arrebatar em suas mãos os corações E deixá-los serem roubados sem piedade.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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