
Caderno Amado
Data 29/04/2020 16:49:52 | Tópico: Poemas -> Solidão
| Voltei, caderno querido Chorei, foram tantos vacilos Queria escrever, em retorno, um romance Mas, adivinhe, estou em um sofrimento constante Sentimental, não se alerte, vai sarar Decepções, apenas isso, o que resta é seguir a diante Caderno, lembra de quando nos conhecemos? Consegue se lembrar das primeiras linhas? Se lembra de como eu era feliz naquele tempo? Quando te conheci foi um dos melhores dias da minha vida Agora, anos depois, penso em queimá-lo, como pode ser? Sinto-me judiado, fraco, não querendo me mover Caderno, o que aconteceu comigo? Onde foi parar aquele menino apaixonado, iludido? Devolva-me aquele sentimento puro e indescritível.
Quantas vezes eu desejei parar, caderno Quantas vezes eu fiquei à deriva, caderno Querendo apenas silenciar um vazio interno Mas, descobri que, mesmo depois de tantos textos, Nada mudou, nada, apenas o meu terno O sofrimento permanece imutável, o detesto Talvez busque respostas nas palavras de um eremita Talvez o distanciamento acalme lamúrias corrosivas Quem sabe? Tudo que sei é que voltei, tarde Perdão pela demora, estava sendo iludido e não vi o tempo passar Acabei por me atrasar, mas, agora eu estou aqui Para nós conversarmos, relembrarmos o passado.
Caderno, mal sabes dos meus momentos em castigo Caderno, mal sabes a solidão que tenho sentido Não tem ideia do alívio que eu sinto, Quando, no escuro, escondido, eu grito Ninguém me escuta, pois sempre ponho a mão na boca Tentando expulsar a tristeza do meu peito Tristeza que ninguém tem conseguido abafar Fique à vontade para me chamar de louco Eu só não quero mais apanhar em extremo sufoco.
Sei que te abandonei sobre a mesa Mas, eu estava precisando enlouquecer E, não queria escrever meus devaneios, solidão em sutileza Peço que compreenda, não me odeie O mundo está rodopiando e eu estou regurgitando, Tristezas e lágrimas sob o lençol, estava chorando.
Estava em um estado suspenso, omisso Acima de meus medos, mares em depressão Desculpe pelo meu sumiço, vou te compensar Culpe a solidão, aos medicamentos que se ausentaram Talvez eu os devesse tomar, talvez assim a dor passe Mas, agora estou aqui, caderno, por favor me abrace Pois, desejo tanto carinho, e carinho foi o que lhe dei Cada palavra que escrevi em paixão, todas que criei Dei-me elas, necessito, me sinto em naufrágio, dei-me assim Prometo me recompor, prometo voltar a compor Só, me dê tempo, para inventar um novo amor.
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