
O PIQUENIQUE (às avessas)
Data 07/04/2020 20:23:04 | Tópico: Poemas
| O PIQUENIQUE (às avessas) (Alex Sandro de Lima Silva)
As nuvens se apressam como touros selvagens. O sol fulgurante, sem relógio, corta o céu azulado em disparada. Logo vem a dona lua com suas estrelas malcriadas, que aos poucos aparecem cobrindo as ricas pastagens. Na grama verde uma toalha quadricular é estendida, potes, garfos e facas então são lançadas feito baralho na mesa; bolos, tortas, pudins e até pequenas framboesas, enfeitam e dão uma beleza sem medida. Os corpos celestes lá no alto testemunham o pequeno caso. Dois jovens maltrapilhos, mas de cabelos bem penteados, entre risadas e olhadelas tímidas, embaraçados, sentados na grama, se admiram e se servem sem atraso. Pães melados de manteiga são repassados de uma mão pra outra; bolos são desembrulhados e em minutos desaparecem. Um sorriso cá, uma risada lá… ambos se divertem. A gorda lua parece até fazer hora extra! Quem interromperá? Será as cadentes estrelas que curiosas passam aceleradas? Ou será a inóspita lua satélite iluminada? Quem será o intruso? Talvez seja o danado do Sol em seu fuso! Saindo do horizonte, recomeça sua caminhada, alumia o casal, que, sem notarem o início da madrugada se levantam de mãos dadas e vão embora abobalhados. Enquanto se recolhem… a grande metrópole é despertada.
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