
O meu não
Data 11/04/2008 18:04:18 | Tópico: Poemas
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Não, dizes-me não, como se decidisses o que o mundo tem a fazer. Não me olhas nem percebes, dizes e improperas teus próprios sons. De mim solta-se a raiva que o desespero gera. Queria ter o poder que te fizesse não estar, tenho os traços visíveis de um tipo cansado, da inépcia amarga, gelo enrijecido que deixa imóvel as vontades. Já não te olho, já não te sinto, és corpo estranho e disforme num odor de que me afasto nefasto execrável – detesto-te! …e fazes com que me deteste por ficar aqui, gemendo, rebentando por dentro, dessas mãos porcas com que me tapas a boca e manuseias a tua figura limpa e contida, que roça a minha vida por aquilo que preciso. por aquilo que me tenho e não posso deixar neste meu caminho.
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