
Divago XX
Data 25/01/2020 19:01:32 | Tópico: Poemas
| O homem renasce na palavra tensa Nascida gente neste tempo sem tempo De impropérios reflectidos em espelhos A terra sucumbe à sua fome imensa Grão após grão, momento a momento Quando desgasta os seus olhos velhos
A palavra morre esquecida no papel Não dita, não falada, surda e calada Mar vai, mar vem e o vento a cantar O cheiro a rosas secas de sabor mel Esquece a memória antes enterrada Mar vai, mar vem de ondas a nadar
O velho corpo serpenteia num olhar Onde já navega perdida a solidão Esquecida de si numa outra saída Silenciada num abraço desse mar Diluída em gente de tamanha ilusão Num pedaço de chão sem mais vida
O olhar perde o último horizonte Eclipsado entre tudo e nada mais Entre as mãos pedintes e abertas A água louca e já salobra na fonte Chora e enterra essas vidas banais Profanas rezas de religiosas ofertas
O pó nascido do pó morre também ali Voa como as folhas secas do outono No ar entre tanta terra e outro mar Entranhado nas pedras que conheci Agora silenciadas num profundo sono Amordaçadas num sonho a definhar
A morte ressuscita ferida de morte No último suspiro do miserável ser Que se contorce no chão lamacento O Sul perdeu noção de onde é Norte Foi por aí, caminhou sem saber viver Algures por aí, cada vez mais lento
|
|