
Fragmentos de uma ilusão
Data 03/01/2020 13:10:30 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| Eu caminhava pela rua deserta Sentia o vento tocar o meu rosto Mas, não via ninguém naquela jornada Nem vi os pássaros que voavam sob as nuvens. Meus passos eram lentos Pensamentos passavam a minha mente E olhares não me incomodavam nem um pouco Nem os sorrisos. Tudo era tão falso Tão hipócrita como a liberdade de um criminoso No meu coração a lembrança De um olhar agora desfeito como a neve sob a luz do sol. Nem adianta chorar, pensei comigo mesmo, Nem lamentar a falsa ilusão Na qual deixei-me ser envolto Em uma tarde qualquer. Pode contar os meus passos Eles não são trôpegos como sempre foram Meus olhos não conseguem ver o horizonte Que foi desfeito pela primavera que eu nem vi. Ouço gritos tão distantes Que parecem clamar pela minha liberdade E eu nem percebo suas mãos acariciando meus cabelos E ofuscando meus pensamentos turvos. Lágrimas de uma despedida que nem aconteceu Na profundidade de uma vida sem sentido Foi o que restou de um amor que parecia existir Mas, que não passava de fragmentos de uma ilusão. Cale-se para sempre e tape os ouvidos Feche os olhos e ouça apenas o silêncio Deixe-se corroer pela dor do esquecimento Porque isso é o melhor a ser feito nesta hora silenciosa. Agora eu olho para a rua deserta outra vez E não sei se estou sonhando Tudo me parece tão estranho como a aurora ofuscada De um dia triste de inverno.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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