
FUTURO CANALHA
Data 10/04/2008 16:23:29 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| FUTURO CANALHA
Os excluídos calcorreiam as ruas costumeiras Bem pertinhas de suas casas Eles são os filhos da inconsciência De quem Governa seu ganha pão Estas são as virtudes de um governo sábio Tão sábio que deixa homens e mulheres Perto dos cinquenta anos de idade Entregue ás mãos de um patrão esperto Afinal mais esperto que os governos sábios Metidos em redomas de vidro onde se fecham
Eles se aproveitam de todos os pequenos Pormenores, até os mais escondidos Nas leis elaboradas p’los tais sábios governos Que dizem aprovar estas ditas leis Em defesa da estabilidade e da liberdade Mas qual Liberdade? Quando pessoas vivem à mingua e à sorte E outros se aproveitam da sua fragilidade! Sabe-se lá com que interesses...
Não são certamente o destes excluídos Que sussurram pelas esquinas das cidades A seu pobre coração sobre a falta de afectos Dos misteriosos governos sábios Que maquiavelicamente Em determinadas alturas da vida Tem sido fieis causadores Dos maus momentos de tristes destinos
Os dias dos excluídos se confundem Uns com os outros Como se fossem um relógio Sem ponteiros que nunca se adianta Nem nunca se atrasa E eles mergulhados nesta verdade feia Pensam que são demasiados novos Para receber a sua reforma conquistada Em longos anos de labor E demasiado velhos para trabalharem Como um direito que vem escrito Em todos os manuais da vida humana E afinal não passa de uma farsa bem ferida
Este não é aquele favo de mel tão doce Como doce era o sabor de se sentirem úteis Para a sua meia idade como sempre aspiraram Este é um pesadelo dos mais sinistros Que agora vive em todos os excluídos E que amanhã, infelizmente Continuará a viver com outros sem sorte Que terão as mesmas ruas As mesmas esquinas Para olharem para um horizonte Onde certamente e calmamente Passeará o dinheiro dos espertos E o puder dos sábios Num futuro canalha
De: Fernando Ramos
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