
Aquele Fontanário
Data 21/11/2019 17:05:47 | Tópico: Poemas -> Tristeza
| Não pude evitar a tristeza, quando certo dia, ao passar pelo local onde tantas vezes estive e ver o estado decrépito de morte atroz e lenta daquele velho fontanário, seco pelas amarguras do tempo, que há muito, certamente, deixou de debitar a cristalina água que saciou tanta gente!
Olhei para o esqueleto daquela fonte, emocionei-me, ao pensar em quantas alegrias participou… e que tantas foram as mágoas choradas nas águas daquele fontanário, solidário!
Sentei-me nas pedras corroídas pelas memórias dos amores que o fontanário conheceu, dos segredos que lhe foram partilhados e guardados na eternidade do seu silêncio, das paixões exaltadas, abençoadas pelo fio de água que deslizava pela sua airosa boca, e esfriava os ímpetos exacerbados dos amantes!
Agora, aquela fonte morria, inexoravelmente, abandonada por todos… ela que acolheu tantas confidências, de paixões proibidas, de promessas matrimoniais, de desavenças descontroladas… jazia ali, num silêncio constrangedor, cercado por ervas daninhas, num total e doloroso abandono!
Ah, tristeza… Monumentos que se fizeram marcos, onde os sentimentos foram vida, felicidade, paixão e amor, acabarem assim… como coisa inútil e insignificante…
José Carlos Moutinho
|
|