
Trilogia: Desertos (3/3)
Data 13/11/2019 16:58:18 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
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Quando aqui cheguei trouxe um caderno em branco dentro de mim Nele escrevi meus versos sem rima e todos os signos inexplicados Quais me deparei pelo caminho, entre flores, perfumes e espinhos Onde fui tocado por dores de tantas sinas, segredos inconfessados Clamando a rasgar o peito para espalhar os sonhos sobre meus dias Na vida cheia de medos revisitados, linhas que quedaram borradas Cântico onírico interrompido pelo frio do concreto e aço cotidianos Ah, tantas páginas ainda restam inéditas, pensamentos impublicáveis Teria sido por minha vontade ou esse tal destino que ditou a direção Haverá páginas escritas em tinta invisível que o tempo vai revelando? Ou as faço, traço a traço, cada uma o espelho de minha imperfeição Aprendendo a cada erro, celebrando cada acerto, cada frase um hino Mas de tanta angústia um dia há de bastar, será único e memorável Vou bater na tua porta, escrever errado em linhas mais tortas ainda Um destes poemas sem pés e sem cabeça enquanto restarem folhas No livro de poemas de nós mesmos, letras vivas na forma de contos Dir-te-ei do que vi no mundo correndo livre pelas pontes sobre rios Mas esconderei as cicatrizes de quando as pontes já não estavam lá Vou atropelar a fala ao contar o que inspirou e me fez vivo, na pele Confesso que doeu, mas livrou do ultraje de andar na vida sem viver Sei que o tempo passa e os dias se somam, mas não os guardo em mim Caminho pelo mundo, à sombra dos narcisos, a buscar novos verbos Escrevo por necessidade quando meu deserto interior me determina Sou esse, faço sem olhar, não para enfezar os traiçoeiros de plantão Na poesia reside o catalizador da metamorfose, a magia dos sentidos Que faz de sair do caminho, assim, só para beijar uma flor mais bonita
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