
Catarse
Data 23/07/2019 00:33:24 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Liberto-me do que me é estranho. Por que sofrer com isso? O que pode me perturbar? Quero conservar em mim O que há de melhor E, por isso, descarto o pior. Rejeito tudo que dilacera minh’alma. Se a purgação é necessária Eis-me aqui pronto a galgar Os umbrais do mais temido purgatório. Sacrifícios, Absolvições, Purificações... Jogos aprazíveis para vivos e mortos. Purifico-me dos ardis De palavras tolas e sem sentidos. Liberto-me dos prazeres Da alma e do corpo. Rasgo o coração Faço-o sangrar até o fim. A morte? Eis que jaz a espreita Mas, não me assusta. Não agora! A alma cheia de desejos Os vermes a corroer o corpo E os olhos impuros. Como arrancá-los? Como andar na escuridão? A alma se recolhe Tudo se tornou impassível E choro tristemente no meu silêncio. A purgação é necessária Porque preciso encontrar a paz Que só na poesia posso desfrutar Discretamente e silenciosamente. A tragédia é o caos, a solidão a rotina, De uma vida que se vai Na madrugada muda e gélida. Esse terror não pode terminar E os distúrbios embaçam minha visão. As emoções estão abaladas E impressionam minha alma. Não há piedade, apenas o medo. Preciso de serenidade Equilíbrio nas emoções E a pacificação que essa catarse Pode me harmonizar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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