
Ensaio sobre o cegueira (versão egocêntrica)
Data 26/05/2019 16:31:17 | Tópico: Poemas
| Eu escrevo pra silenciar Essas vozes da minha cabeça Nunca precisei chorar Só espero que a dor enfraqueça
Minha loucura gritando Enquanto o medo me abraça Essas vozes tão me matando E o desespero não passa
Quando os sonhos são conduzidos Os pesadelos são bem mais reais Quando os sábios são confundidos Não adianta escrever sobre a paz
O desespero fica maior Sou estoico do coração inquieto Mas meu medo é pior Ele me tem por completo
Não vivo a vida que eu quero Só vivo a vida que eu tenho Sempre fui paciente, eu espero Paciência é questão de empenho
Não quero a vida sorrindo pra mim Eu também nunca tô sorrindo pra ela E esse vazio não tem fim Minha neurose sempre causa sequela
Onde a saudade tanto faz O esquecimento faz bem Eu já deixei tanta coisa pra trás Coisas que me deixaram também
Se o arrependimento matasse Quem estaria vivo agora? Se a saudade falasse Pessoas que amo não estariam lá fora
O mundo fazendo barulho com tudo Eu sou totalmente o oposto Fazendo silêncio no mundo Vivendo meu próprio desgosto
Vou falar mal do executivo Fazer umas linhas sobre o racismo O judiciário bate, culpo o legislativo No sofá eu sou o rei do ativismo
É a lei da redundância Tomando forma circular É a lei da ignorância Mandando seu filho estudar
Eu sou a contradição Minha poesia imigrou Eu não escrevo com o coração Abraço mundos com a mão que sobrou
Não sou puritano, nem moralista Todos meus livros vou ter que queimar Sou refém, sou sensacionalista Minha filosofia os padrões vão ditar
É a ditadura de tudo e tudo virou nada Sou eu e minha maldita percepção Eu sou a resposta mal estruturada Das perguntas sem solução
Vou ter que lidar com o medo Vou ter que aceitar o desespero E minha dor de mais cedo Dela eu não sou prisioneiro
Agora eu posso aceitar O que não podia entender Minhas vozes só vão parar de falar Quando meu coração parar de bater
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