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Data 17/05/2019 16:36:42 | Tópico: Poemas
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No breu da noite campeiam Agudos gritos irados, Uivos ermos enxameiam Por congostas e valados, É nublada a lua cheia Sob a mais espessa teia.
Vestem escuras roupagens Vultos em levitação, Agitam-se as ramagens Sem sopro de viração; Em alcândaras pousadas Velam aves agitadas.
São longas as cabeleiras De bruxas em danças velhas; Ecoam pelas costeiras O tilintar das sortelhas, Após breve mutação, Descansam em suspensão.
E dá-se a transformação Numa só coloração Das aves espavoridas. Em penas brancas vertidas Tecem voos de brancura, A noite é nitente alvura.
Almas velhas de druídas Ressumam do seu torpor E no branco conduzidas, Nas aves são encantadas Sem o mais leve rumor, Indelével voo etéreo Por todo o espaço sidéreo, Na quietude do vento Fazem daquele momento De lenidade lunar O mais perfeito avatar.
Juvenal Nunes
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