
SEMANA SANTA
Data 19/04/2019 12:33:37 | Tópico: Poemas
| ENTRE ANIMAIS
Não era para ser ali Junto aos animais Mas veio ao mundo Em terras simples O leão cordeiro... A culminância de Davi. Os reis que viram o Rei dos Reis Lhe sorriram presentes. Mas o presente estava ali. Já dizia a Estrela em seu brilho: A paz está no mundo, vejam a paz. Aprendam com a paz. Sejam simples assim.(Proteus).
A CRIANÇA FALA
E ouvem o menino espantados Os velhos mestres da nação. E há verdades estampadas... Conteúdo onde não pensavam. Homens que sempre falam Agora, como crianças, aprendem a lição... Só um dia não basta Mas só um dia terão.(Proteus).
VINHO
Dançam aos noivos os amigos... Os conhecidos... Músicas, vinhos e comidas. O filho do Homem e sua mãe E aqueles que já o seguiam. Na alegria dos noivos Secou o néctar... Não a comida... Não a música... O vinho. A mãe procurou o Leão de Judá É necessário ajudar. Não é chegada a hora Ela sabe. Ele sabe. No entanto, que encham de água os potes. Haverá e houve vinho. Melhor do que havia, fez-se vinho Da água fria.(Proteus).
QUANDO ELE TREMEU
O primo sobre as águas convida a todos Para renascer de novo em vida. São muitos os que ouvem o santo em couro. “A voz que clama no deserto”. Eis que o primo ainda desconhecido Iniciando os ofícios Reconhece o neto da avó Ana. Também ele quer se banhar de santas Águas. O primo que o recebe não se acha digno. Mas obedece ao pedido. E mergulha o mais santo nas águas claras. Finda o batismo. Somente a pomba alva e fresca Sobre a cabeça pousa. Comprova a origem do convertido. E mesmo Deus feito homem Sob as águas frias tremeu. É hora de crescer... O primo deve diminuir. (Proteus).
– CAMINHANDO
Mas se as águas estão profundas Como pode o mestre andar? Ninguém na nave entende o passeio, Esse caminhar... Há medo... Há assombro... Dúvida... Como há... E o Filho do Homem caminha Como se terra houvesse no mar. Desesperam os que o seguem. Até onde iriam? Ao mar? (Proteus).
AQUELE QUE NÃO VÊ
Não via um palmo a diante O pobre homem limitado E aquele chamado o “Cordeiro” Molhou a terra com o seu hálito. Fez barro da terra arenosa Das paragens da velha cidade. A pasta em mãos habilidosas Cobriu os sentidos que não serviam. Do barro fizeram-se óculos E o homem que não via Viu mais do que os que viam Reconheceu no oleiro O Salvador... O Messias.(Proteus).
CABELOS
Jogou-se aos pés do Senhor E fez destes, objeto perfumado. Lavou com fina fragrância Os pés a caminhadas acostumado. Havia lágrimas nos olhos da moça. Havia amor nos olhos da moça. Havia espanto nos olhos dos discípulos. Aos pés úmidos do Senhor aquela que ama e Enxugou com fartos cabelos. Toalha fina para pés divinos... Haviam lágrimas nos olhos da moça. Havia amor nos olhos do Senhor. Havia espanto nos olhos que olhavam. Fez dos pés objetos perfumados. (Proteus).
PEDRA
O que é manso rabisca o chão. “Quem nunca pecou atire a primeira pedra” Nenhuma pedra se mexeu. Não há feridas na donzela. Aquele que é manso continua a desenhar Sobre a areia fina. Não mais ninguém dos que odeiam. “Onde estão os que condenam?” A moça agradece ao Senhor. Não pecará mais.(Proteus).
PÃO E VINHO E pegou o pão e deu graças Repartindo aos seus. O corpo em trigo Que mata as fomes da alma... E pegou o vinho E vinho em sangue embriagou de luz Os que estavam. Fartam-se do divino Os que querem ser divinos. A sabedoria doada em pão e vinho. Há um caminho a seguir Maculado será o pão. Derramado o vinho. Por hora o prazer da ceia A cada dia o seu mal. (Proteus).
GRITO
“Soltem Barrabás” Grita a multidão Onde estão os seguidores Do “Filho do Homem” Só os que não o querem Estão lá. “Soltem Barrabás” Grita a multidão... O Rei está humilhado... O Rei está ferido... O Rei está perdido... Perdida está a multidão. “Soltem Barrabás” Grita a multidão. Já está definido o fim. A sorte lançada... O que fazer com o chamado Cristo? “Crucifica-o” “Crucifica-o” Grita a multidão.(Proteus).
SANGUE E CHUVA
Do alto as gotas de sangue mescladas a chuva. Morre na cruz aquele que não morre. Há uma coroa na fronte E os braços estendidos esperam o mundo. Jogam dados alguns. A sorte está lançada... O “mais querido” abraça a mãe infeliz. O cetro é uma lança que fere o peito. “Eles não sabem o que fazem”.(Proteus).
NÃO ESTÁ
Não procurem na Terra O que não é da Terra. Diria o ser alvo às três que adoram. Nada mais há que o linho tinto de vinho. Assim esperavam os seus. Não procure entre Homens O que estava além dos Homens Por ser muito mais. A lição foi ensinada mas nada se aprendeu. Repetem por anos toda tragédia... A lição foi passada mas não foi assimilada. (Proteus).
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