
moro no rés-do-chão
Data 06/04/2019 16:59:29 | Tópico: Poemas
| de que me vale o sonho se o inferno não me larga eu alma penada do desencontro se me vejo ao espelho peço licença e desfaço na imagem o batom nos lábios tão fartos de não ter já o que dizer - quiçá escrever fosse a solução mas viajo com a cinza dos dias entre os dedos e um olhar de culpa que sei, não tenho sou mais coisa menos coisa, algo banal devo morrer de asma entre o ontem e o anteontem (foi a previsão do psiquiatra d’ hospital) ando farta de mim meus óculos estão fartos dos meus olhos e meus pés de meus passos as minhas mãos fartas de adeuses queria ter pena de mim mas nesta idade é quase impossível e a coragem também já a perdi algures entre um Janeiro qualquer e um poema inverossímil.
medi da janela a distância ao vão como contabilista louca, mas que raio não posso mudar o mundo eu, eu moro no rés-do-chão.
|
|