
O inesquecível romance
Data 26/02/2019 10:17:38 | Tópico: Prosas Poéticas
|  Era uma tarde de primavera, O sol repousava no horizonte. No céu escurecido, a estrela-maior Mostrava seu iluminado sorriso E no mar adormecido, as gaivotas Ensaiavam seus últimos mergulhos, Desafiando as encabritadas ondas Que vinham suicidar-se a orla Da praia desértica. A natureza dormia envolta no escuro Manto da noite, que caia sobre As copas das árvores. De longe se ouvia o piar duma coruja, Que acordara a Rita, absorta na contemplação Das ondas que vinham beijar nossos pés E recuavam deixando pra trás suas lágrimas. A Rita olhou pra mim com seus olhos de sereia E disse: -Ó querido, quão belo é o mundo! -Belo e desprezado pelos homens. – retorqui Afagando-lhe o cabelo que luzia à luz da lua. Uma estrela deixou seus traços no céu Ao desistir-se da vida, óh, que pena! A Rita desviou seu olhar do mar adormecido E rezou sete ave-marias, louvando a deus Pela sua criação. Após suas meditações, enlacei meus braços Em sua delegada cintura e ela encostou Sua cabeça em meu peito que ardia de amor, Ela me mirou com seu olhar cativante… -Meu amor, me abrace mais! – pediu -É pra já, minha flor! – repostei Afastando seu cabelo que dançava com o vento, E depositei o mais doce beijo em seus lábios, A lua desviou o seu olhar e as estrelas Fizeram vênias e nossos corações se fundiram Num só, batucando de amor. O tempo parou, Só se ouvia o chiar dos nossos beijos. Uma borboleta acordada veio juntar-se a festa Dos beijos, e trouxe em seus lábios, os beijos Do beija-flor que dormia, depois de tantos Beijos dados e recebidos das rosas, Que não se saciavam, enquanto houver sol No prado e mel nos lábios dos beija-flores. Esse era o mundo, aliás, o paraíso do nosso Namoro, que a Rita tanto gostava. Sempre que a primavera se avizinhava, A Rita preparava seu vestido floreado, Enquanto eu afinava meus beijos pra desafiar Beija-flores nas olimpíadas dos beijos primaveris.
Adelino Gomes-nhaca
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