
NENHUM FIM
Data 24/02/2019 13:41:57 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Andei em ruas velhas vincadas de mistérios Como a face desbotada de um ancião doente Senti o frio que o vento trouxe Era um vento de inverno assombrando nossa primavera estéril Eu toquei os desejos secretos que pude perceber com o tempo E cortejei o tempo de um tempo que não podia ser meu Por que meu relógio não sussurra mais horas exatas? Quando foi que perdi o discernimento do que era real? E nas madrugadas torpes de mulheres sujas e bebidas baratas... Eu me entreguei a buscas que não faziam sentido Eu soube da noite em que o vomito secava na calçada Eu soube do fedor podre que a boca desdentada da madrugada exalava Eu soube de tudo... E caminhei insensível por tristezas nauseantes Torturado por melodias que nem BIRD poderia tocar Ressoavam em minha mente canções que não podiam ser interpretadas O céu escuro cobriu-se de um êxtase sem cor e dobrou-se Eu vi o cavalo negro que trazia a fome... Um ser sem sexo sem paixões e sem vontades Apenas a natureza crua do que deve ser executado... Senti a ânsia faminta de tantos ardores... Fome de viver... De devorar... De gritar... Eu vi os mitos mortos e ainda insepultos em longos e trágicos cortejos Cobain calado e triste com gosto de heroína na cabeça Ginsberg sem auto poesia gay e abusada Blake sem mais palavras Tudo é vastidão morta Tudo é terra estéril Tudo é sonho sem alma Crias da morte Morcegos de pesadelo Eu vi tudo E segui a margem sem flores nas aleias Sem nem mesmo uma reles rosa ainda que negra e murcha Eu andei conformado sabendo que esta era minha jornada Ruas antigas vincadas de mistério E nenhum fim.
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