
RUMO AO CAIS
Data 18/02/2019 00:04:15 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Onde não havia mais becos eu deixei meu ódio Segui pela cidade viciada rumo ao cais que estava sujo Eu fedia ao dia inútil que ainda estava agarrado em mim mesmo naquela hora final Eu caminhava pesado de todos os moribundos sentimentos e pesares que meu corpo insistia em ter Apegado à maquinaria falha destas cidades eu seguia cego Não via a luz do alvorecer Não via a cor que tem o parque Não via o mar Em algum lugar a minha volta vozes bêbadas e vorazes gritavam maldiçoes Homens sem rumo e sem coragem vagando na terra de ninguém A calçada por onde eu seguia era pegajosa e enervante Não tinha meu vinho na Mão Nem um misero copo de cachaça que fosse Mãos vazias na verdade A não ser pelos calos E pelo sangue Eu vagava pela noite jovem recém-nascida fugindo da cena de meu próprio crime Atrás de mim vozes aturdidas Atrás de mim... La onde já nem se podia mais ver punhos em riste prometiam vinganças impossíveis A minha frente às ruas dançavam abrindo e fechando esquinas sinuosas e sóbrias A minha frente vielas e passadiços vazios a não ser pelos ratos e pelas putas Eu vou em busca do cais Com os ouvidos cheios dos ecos de um crime Com a mente torpe de bebida barata Com as mãos tingidas de sangue alheio Vou em busca do cais Cobrar dele o que não admito mais que me seja negado Vou para o cais fétido desta metrópole doente E vou afogar nas águas imundas um torpe criminoso O criminoso que sou.
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