
Onde estivesses seria
Data 04/04/2008 07:31:07 | Tópico: Poemas -> Amor
| Onde estivesses seria na tua mão a força aberta do silêncio a rasgar ímpio semente copiosa da palavra. O verbo o verbo solto, o arrepio, o calafrio hirto do Sol, do Sol herético em movimentações d’almas em voluteio de rio de montanha, rápido em degelo pretérito.
Agora ali e mais além, tão longe quanto meus olhos avistam a Lezíria de horizonte infinito. Do rio ao Sul vem o rosa o cinza-anil no trespasse audaz da noite em novo dia. Boreal.
Aqui os cheiros, os tons, das buganvílias, das hortênsias novas, em todos os jardins secretos de mim e as flores, as flores, amado, em quedas no pátio das laranjeiras ao fundo do quintal em sons castanhos de terra… sons d'antanho ... pétalas lado a lado.
Onde estivesses celebraríamos o crescente do beijo em lavas da saliva em ritos em águas livres em audácias esculpidas, prenhes de pranto, de fogo, fogo-fátuo, debulhado ao milho-rei em eira orbicular. Linho crespo e branco, tecido brando de meu corpo na roca do teu fiar.
… onde estivesses!
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