
DIÁRIO DE AREIA
Data 13/02/2019 21:51:32 | Tópico: Poemas
| Já escrevi palavras na areia Sabia que o mar viria busca-las Já desejei delicias mundanas Jamais foram minhas Não conheci terras exóticas Nenhum jardim inglês pra mim Nada de índia misteriosa Sem Nemo sem Nautilus Mas cantei canções no escuro La onde ninguém podia me ouvir Onde a lagrima é só lagrima e sempre cai sozinha Eu já encobri obscuros segredos Medos exóticos Medos inconfessáveis Medos infantis Só medos... Sempre os medos Eu já bradei em batalhas ferozes Derrubei homens Os vi derrotados Os vi moribundos Não chorei por eles Em verdade... nunca chorei Eu já deixei meu ódio pra traz Eu o dei as flores Enterrei fundo num canteiro de rosas Mais tarde o vi voltar pra mim Eu já fui zumbi sem alma e sem amor Já fui bêbado, um ébrio errante gritando meu amor impossível pra lua. Eu já sonhei com anjos Já sonhei com pergaminhos E livros que ninguém escreveu Eu já perdoei ofensas imperdoáveis E reagi com fúria diante de deslizes insignificantes Já matei... Já fui morto... Caçei. Fugi... Eu já trouxe sabedoria de lugares místicos Já espalhei tolices de metrópoles insípidas Já fiz política Já fiz amor Já fiz... de tudo Eu já quis que ela soubesse se do meu destino Já escondi dela minha presença Amor e dor... juntos em meu peito Eu já afoguei velhos sentimentos em vinho barato E narrei em poemas tão loucos que não pareciam meus Já chovi sobre cidades que nunca me entenderam Eu já parti Já estive longe Voltei e ninguém sabe Escrevo palavras na areia Olho o mar Aguardo.
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