
MAIS UMA DO PERERÊ
Data 05/02/2019 16:54:00 | Tópico: Poemas
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Eu vi, juro que vi, vindo num rompante, abrindo a mata, fazendo ventania,
subterfúgio; coisa de bicho do mato para aparecer.
Veio surgindo às risadas, saindo do fundo do poema...
- Ouçam!...
É um menino de metro, pretinho, azeviche... Parece uma imagem, ou miragem. Sei lá!
Pé no chão e cabelo pixaim. Corpo sarnento, nariz com meleca, chulé fedorento, `zóinhos` remelentos, falando pelos cotovelos...
Falava ininterruptamente palavras estranhas, desconexas, tacanhas, sem rela nem trela.
Iam assim; saindo, uma atrás da outra daquela pequena gamela.
Nem o pito aceso, no canto dela caído, fazia-o trancar a tramela.
Opa! Num pinote e rodopio só, sumiu num rodamoinho. Só vi o gorro vermelho pendurado no canto da tela.
- Moleque safado! - Passa fora daqui! Anastácia em gritaria. - Sai moleque!... - Sai filhote de cruz credo!
Ouviu-se de novo o sorrisinho.
Só dava pra ver os dedinhos saindo detrás do paspartur.
Correu, pulou, deu a volta na moldura, a traquina criatura. Furou o bolo de fubá o biscoito de araruta comeu, e lambeu toda a rapadura.
- Meu Deus, quanta travessura!
Deu outra risada, pitou o cachimbo de barro, cerrou a cortina da cozinha... E assim; sem eira nem beira, saiu do poema em correria no meio de baita poeira, só pra ninguém mais o ver.
Ah! Pererê... Pronto! De bucho cheio; foi dormiu e fazer dormir quem não dormia. Pudera! Num colchão fofo de poesia!
Saci-Pererê, um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro. Possuí até um dia em sua homenagem: 31 de outubro. Diz a lenda que ele transformou-se de um jovem negro com apenas uma perna, de acordo com o mito, havia perdido a outra numa luta de capoeira. Passou a ser representado usando um gorro vermelho e um cachimbo, típico da cultura africana. Quem primeiro retratou o personagem, de forma brilhante na literatura infantil, foi o escritor Monteiro Lobato, nas histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo. E Tia Anastácia, é quem sofria mais com as travessuras dele.
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