EU ME CHAMAVA JOSÉ

Data 16/12/2018 01:29:03 | Tópico: Poemas

(Réquiem for a Dream)


Do alto de uma nuvem, eu,
José flutuava com espanto.
Acima de mim haviam santos,
as dores não mais haviam,
eu não mais usava óculos,
e li, que escreveram na areia
que o meu nome era José.

No poema, escrito ficara:
Parido duma mulher mãe,
que num cartório firmara,
por um homem dito pai,
desde quando criancinha. ’
Junto com a história morreu;
José era esse o nome meu.

Noutras nuvens em movimento,
num bailado triste e lento;
ora arrastando-me ao ocaso,
rodopiando sobre as labaredas,
eram as chamas do inferno
que voltavam ligeiras, e de ré,
sombreando aquela praia que
na areia escreveram José.

José; muito assim fui chamado,
para suscitar dúvidas, arguido,
qual no poema de Drummond.
Mas não confundam, não era eu,
o tal da festa acabada dita.
Fui outro; um José menos amado.
Amado, tão quanto fui odiado
por não professar única fé.

A poesia ficou;
‘Eu me chamava José’.
O sonho acabou,
a vida acabou,
o poema chorou,
não há mais o mal;
a dor não há mais.
o José não há mais
após o carnaval;
não ressuscitou...



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