
O CORONEL
Data 11/11/2018 23:04:01 | Tópico: Poemas
| O CORONEL
-- "É, menino, eu já fui homem Duro e acostumado ao mando! Mas o tempo foi passando E as certezas todas somem Aos meus olhos vez em quando."
"Sou um homem vivido. Conheci belas mulheres E amoleci nos quereres De ter sido bem querido Após muitos malmequeres..."
"Em casa eu tinha uma dona E filhos que nem escada. Fora, fazia pousada N'algum quarto lá na zona Ou junto a mulher casada."
"Embora morasse na roça, Pus outra casa na rua Aonde ia sob a lua Visitar formosa moça E deitar em cama sua."
"Por teúda e manteúda, Passava o tempo sozinha, Dizendo-se toda minha... Já perfumada e desnuda Quando avisava que vinha."
"Nova, era a minha pequena Seus beijos, gotas de mel... Seus olhos, límpido céu... Seu peito, olor d'açucena... Seu colo, um nobre pitéu!..."
"A velha em casa notava: -- "'Tanto apuro no vestir... Por que sempre um ir e vir? Por que fora pernoitava? Chegava e tornava a sair!"'. --
"Nunca me dizia nada Mesmo sabendo de tudo... Entra calado e sai mudo Quem tem a culpa estampada Em pleno olhar, sobretudo."
"Vivi, desavergonhado, Por anos e anos assim. Até que a pequena enfim Partiu para outro estado, Como fugisse de mim:"
"Topei co'a casa vazia... Não deixou nem um bilhete. Das roupas, nem alfinete! Nada mais na sala havia, Senão poeira no tapete."
"Voltei p'ra roça humilhado, Sempre a esconder meus ais De minha dona e os demais... Hoje, esquecendo o passado, Na rua eu não volto mais!
Betim - 10 11 2018
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