
Esculpir d'afectos
Data 02/04/2008 07:59:24 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| Das lezírias os trevos declinados ao sopé das colinas e dali, das estrebarias, o cheiro das aveias e dos fenos a esculpir d'afectos as narinas abertas dos animais.
Afago ao de leve cerdas ao tempo, entrelaço, na brandura da noite, uma a uma, pérolas, fitas coloridas, em crinas hirtas de poemas e deixo que minha cabeça tombe que livre entorpeça e sonhe se carrego todas as dores das negras mulheres d’Atenas.
Abraço-te p’lo pescoço, coloco o pé descalço em estribo. Ágil, salto. Aninho-me então longitudinalmente em teu dorso. Segredo-te felina ao teu ouvido: - Sabes … Gosto! Gosto quando me prendes, quando me dobras pela cintura e examinas o que se mostra, o que se esconde, no vórtice sedoso do decote … Quando me mordes, quando me sorves a derme a verve do corpo a alma inteira. Gosto… do teu desejo, do teu toque…
E de novo e novamente m’enlaças e me danças lépido e franco e me profanas e me endeusas na sensualidade latina de um Tango o fogo alado do meu corpo… Neste rio inexpugnável de lembranças de que me (re)invento e jejuando, m’alimento, viajo mística em várzeas supremas d’alecrim e d’hortelã, saio e entro, mil vezes, vezes sem fim, em celibato de alma, em nomadismo cigano, por dentro do rio salgado de mim sem hoje sem amanhã …assim.
E sou ausência e sou presença aconchegada nos meus braços; E sou Infanta se danço a valsa debutante na ternura, na tremura dos teus passos…
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