
MALDITOS n°1!
Data 12/10/2018 01:10:16 | Tópico: Poemas
| MALDITOS N°1!
Quem são estes cuja luz fora apagada E, insones, têm nas noites seu refúgio, Atravessando em vão a madrugada?
Só querem ao poetar vago transfúgio Da vida d'esperanças comezinhas, Bem como contra o tédio subterfúgio?
Estes -- que vêm deixar nas entrelinhas Toda sorte de angústias autorais -- O que buscam por horas tão sozinhas?
Por que se fazem poetas? Por que mais Buscam tirar das letras o sublime, Senão por se sentirem sós demais?
Que furtaram aos deuses? Qual o crime Cometido na aurora dos milênios, Cuja pena a escrever nunca os redime?
Sem diferir se néscios ou se gênios, D'onde foi que obtiveram tal saber Que os obriga a versar entre proscênios?
Como estes que escrevem ousam ler Nas linhas d'horizonte um sol errático Por entre arranha-céus ao amanhecer?
Como alguém -- entre excêntrico e lunático -- Gastando a vida inteira com escritos Despidos de qualquer sentido prático?
Malditos! Sete mil vezes malditos! Estes que têm os versos por oráculo Havendo além dos céus mais infinitos...
Malditos os que têm pelo vernáculo Um carinho de artista incompreendido Que se imola no altar do tabernáculo!...
Dom às avessas!... Bênção ao inavido!... À margem das promessas e das glórias, Poetar é desdenhar o conhecido...
É saber inventadas as memórias E de belas mentiras a verdade Pretendida em suas vãs histórias.
Desastrólogos do alto, sejam poetas Malditos pelos séculos dos séculos, No augúrio de catástrofes completas!...
Belo Horizonte - 11 10 2018
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