
Espontaneamente
Data 31/03/2008 14:20:47 | Tópico: Poemas -> Amor
| Espontaneamente És o braço amigo que se suspende à toa por cima do meu ombro A colcha rica da erva onde descanso Pensamentos de amor, suco de amor, odor de amor, produção de amor És a seiva trepadeira sobre o meu escombro, remanso Braços e mãos de amor, lábios de amor, polegar fálico de amor, peitos de amor És a terra do amor puro, vida que só é vida depois da dor És a manhã suave, húmida e encharcada És o cheiro da madeira das primeiras chuvas da madrugada És o braço que se inclina abaixo através e abaixo da minha cintura O cheiro de maçãs e latido de vidoeiro e sabor de uvas A folha viva que gira o seu giro em espiral e cai O elixir do líquido límpido dentro do homem jovem sem cura A corrosão tão pensativa e tão dolorosa O tormento, a maré irritável que não será paz jamais Do homem jovem que acorda profundamente à noite A mão quente que busca e reprime o que o domina A noite amorosa mística, as visões, os suores, o pulso Embebes sobre mim o mar, como estou disposto e nu A incontinência de verduras, pássaros e animais avulso A ganância que me come dia e noite e com fome não rói O alívio sadio, o repouso e o conteúdo Espontaneamente, sou eu nada e tu tudo
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