
CORDEL DA LUA DE SANGUE E DO SOL ENCARNADO / Quinta Parte: A LUA DE SANGUE
Data 13/06/2018 11:07:36 | Tópico: Poemas
| Quinta Parte: A LUA DE SANGUE
Havendo Deus ou não, eu Vi quando o sol s’escondeu E a lua cresceu no céu. Quando plena, todavia, Sangrou por sobre o papel Até se tornar cordel E resplender em poesia:
A lua à sombra da Terra Sumia como se a guerra Que tem co’o sol a cortasse E, ao fim, a ocultasse inteira. De facto, quem ora olhasse Mais e mais obscura a face Veria d’esta maneira.
Mas quando escura de vez, Ao invés de sumir, talvez Quisesse o sol lhe sangrar Tal como fora sangrado. Assim, n’esta hora e lugar, O sol soube à lua outrar Com seu rubor encarnado.
Plena noite, a lua plena Deixa d’enluarar serena Os céus da minha terra Para sangrar d’encarnado Feito o sol que se desterra Ao se pôr de trás da serra Depois do dia acabado.
Porém, além da beleza -- E, sobretudo, rareza -- Nada sobrenatural: A lua volta da sombra A pratear sempre igual... Sem vir juízo final O eclipse já não assombra.
Não que não houvesse guerra E peste e fome na Terra, Além de grandes tragédias, -- Quer naturais ou nem tanto... Mas nada acima das médias A grafar enciclopédias Com mais verbetes de espanto.
Não houve o que estava escrito; Nenhum poder infinito Perseguiu os cristãos justos. Tampouco arrebatamentos Ou outros eventos robustos A deflagrar entre sustos Finais acontecimentos.
O que houve foi outro dia Com a sua travessia Para o crente e para o ateu. Nada novo se contou... Nada novo s'escreveu... Pois tudo isto aconteceu E o mundo não se acabou.
Betim - 02 06 2018
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