
Amanhece
Data 29/05/2018 17:55:44 | Tópico: Poemas
| Na boca da noite estrelaram astros Que cospem cometas pelo empíreo Para tormentos de uns deuses doentes Que temem cair em Terra arrasada.
No ventre do dia uma lágrima corre A procura de um lugar, uma lagoa Onde as brumas sonham ser nascidas Ou em piscinas de risos escondidos.
No peito do monte mora um ermitão, Um eremita que dormita entre rochas Entre tochas carregadas de vapores Sem valores mito ou arqueológicos.
Uma gota que um dia foi tempestade Aguarda ansiosa por se tornar oceano. Um grão de areia que um dia foi furor Espera que uma rosa faça raiz em si.
Lá longe, entre o meu e o teu horizonte Há uma prece não dita, beijo não dado Sonho não sonhado, abraço não recebido Do meu provável inimigo.
Entre unhas e travesseiros há cor E o som bom do silêncio que impera Tende a ser um grito hirto de mudez De nudez enérgica, de eficiência poética.
Tudo que eu te digo ou transmito Por mais que eu rasgue a crisálida Eu sempre vestirei a indumentária De um velho dromedário australiano.
Por mais que eu minta ou que mate Aquilo que renasce mais forte todo o dia Hidra hercúlea do sul da América do Sul, Pois, de repente, sou serpente esfíngica e latina e devota que ora, que te abomina , que te lambe e te devora.
Sou o tear que madrugadas tece. O vapor tenebroso que advém do aço. Sou muito mais do que digo ou faço Sou a mão que bate e que em ti... Amanhece.
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