
Fantasia e realidade
Data 27/05/2018 22:40:04 | Tópico: Poemas -> Solidão
| A chuva cai mansamente, suas águas molham os vidros do carro e lentamente escorrem para o chão.
A chuva cai, em ritmo compassado às vezes acelerado...
Cada pingo que desce logo se desfaz... Tal qual a ilusão que em nossas vidas chegam e se vão.
Chuva fina caindo na alvorada, molhando as folhas dos coqueiros e arvores, lavando os telhados dos quiosques, amainando a poeira das ruas, refrescando o inicio do dia, alimentando as lavouras verdejando, os campos e as planícies onde cantam os sabiás e cotovias.
A chuva cai...
Pingos e mais pingos cor de prata.
De onde eles vêm? Da imensidão dos céus, e cai abençoada por Deus, enchendo os rios, engrossando córregos e cascatas.
Lá fora, a chuva forte cai.
Abro o vidro de meu carro e estendo os meus braços, e como faz uma criança deixo os pingos de chuva caírem na palma das minhas mãos que se unem num ato reflexo.
Eu bebo a água da chuva como se fosse o remédio que ameniza o meu nervoso, o arfar do meu peito. O calçadão que beira a orla fica deserto, pessoas correm a procura de abrigo fazendo-me voltar a realidade.
As mãos molhadas passo no meu rosto.
E a água da chuva que desce pela minha face misturam-se com as minhas lágrimas, tocando os meus lábios
E quando a chuva cessa, nas ruas da cidade deixa o seu rastro refletida numa poça d'água, nas folharias molhadas que se confundem com a luz dos astros.
Desperto da minha nostalgia.
Abro os olhos e contemplo com alegria o milagre da vida que se renova emergindo do cheiro de terra molhada pela chuva que caiu na madrugada.
Volto a minha realidade, e percebo que tenho por companhia a minha amada ao meu lado, dentro do carro enquanto chovia, tudo não passou de imaginação ou ilusão.
Dura realidade!
Quero voltar para minha ilusão!
Eliezer Lemos
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