
Cartas Capitais-Catorze
Data 27/03/2008 23:15:38 | Tópico: Mensagens
| Capital, Março de 27
Nem uma única flor resta na macieira, atiraram-se a um chão fofo como uma saia rodada de folhos, uma mancha larga de tons doces onde piscam aqui e ali um rosa mais picante.
Da primeira vez que dançámos, trémulos, orvalhados no controle de nos apertarmos no ritmo esquecido do salão eu tive a certeza que tu eras a minha forma, o meu molde, o meu encaixe. Tudo em ti e tudo em mim se unía na suavidade do volume e o concavo e o convexo eram a essência que nos fazía par perfeito, unos. Havía na gentileza da tua mão o mesmo pousar da flor da macieira, o mesmo tom que punhas na poesia que os teus olhos me gritavam.
Caíram todas as flores da macieira, o meu vestido perdeu os folhos e até desmaiou na cor.
Porque não vens agora? Tenho a musica de ouvido, podía cantar para nós...
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