
Aparências
Data 23/04/2018 01:32:12 | Tópico: Poemas -> Introspecção
|  Aparências Sou aquele que carrega a dor no peito, Que deita com a raiva e finge dormir. No almoço alimenta-se da fria vingança, Na janta bebe um vinho bem amargo, Encena no palco mas não sabe fingir.
Sim, sou o mesmo que atira a pedra E depois atira uma moeda no prato. Que caminha na escuridão da noite, Carrega nas mãos um enorme lampião, Come toda ilusão e ainda não fica farto.
Ao amanhecer, visto-me de nobre E à noite, sou apenas um gato pardo, Falando de um amor que não conheço. Porque não consigo apressar meus passos, Justifico com meu triste e pesado fardo.
Ah! Sou aquele que se lambuza de mel Para atrair algumas pobres formigas. Que chora como um faminto crocodilo, Tem enormes olhos não verdadeiros E muitas garras ao invés de mãos amigas.
Sabe, na graduação da escola da vida, Tento ser aquele estudante mais forte. Tiro dez em química, matemática e inglês, Física, arte, português nem tanto assim, Mas tudo graças a enorme roleta da sorte.
Felicidade é um lago que não tem fim, E eu mergulho nele sem saber nadar. Sujo toda água com inúmeras aparências, e não consigo enxergar nenhum bem, Tentando de todas as maneiras me salvar.
Quem sabe um dia eu preencha o vácuo Que habita meus dias vazios e sem graça! Aprenda, principalmente,a arrancar de mim O mal que nutre meu ser de imperfeições, E que faz de mim uma simples fumaça!
Lu
A
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