
Destruindo uma mexerica
Data 16/04/2018 13:56:50 | Tópico: Poemas
| Eu me rastejo pela escuridão, não faço questão de ascender as luzes para escrever, é melhor assim me sinto aconchegado pela melodia de algumas músicas e meus ouvidos estão com calos de tanto usar fones, invejo o talento musical, enxergo a verdadeira genialidade em alguns, em meio a tanta porcaria existe a beleza a classe e eu poderia citar por nomes: Tim Bernardes e seus longos cabelos loiros e sua voz delicada, sempre acompanhada de um incrível instrumental, Rex Orange e Mac demarco não estão de fora, nostálgicos e relaxantes,
eu poderia falar sobre outros porém minha mãe abriu a porta e cortou minha linha de pensamento,
eu poderia falar sobre qualquer coisa e é o que eu quero fazer, a poesia corre pelas minhas veias e eu sinto uma necessidade ensurdecedora de escrever, talvez essa seja minha forma de me sentir vivo, cheio de inseguranças me pergunto se um dia alcançarei os grandes, quando leio o que eu escrevo me sinto tão frustrado, nada é bom o suficiente, não é algo que se possa comparar com Bukowski ou Jhon Fante,
se bem que muitos realmente só foram reconhecidos depois de mortos, será que o segredo está na morte? Será que é por isso que ela está sempre nos meus pensamentos? Será que serei considerado um grande poeta algum dia? Ou, não passarei de um aspirante a poeta que sonhou e fracassou que sonhou e teve a maioria dos seus sonhos mortos por sempre ter tido tudo, mortos pelo tédio de pensar no futuro, será que não passarei de um lunático que passou horas em sua capsula com suas inseguranças e incertezas corroendo seu estômago, escrevendo e detestando tudo o que cria e tudo ao seu redor? Um lunático que prefere escrever no escuro e continua deixando, com que as palavras fluam pois sabe que é necessário caso eu queira dormir em paz, caso eu queira uma folga dos meus pensamentos sem ter que engolir uma pílula pequena e branca e poderosa, em um quarto, quente, em um sábado à tarde e sentir que tudo a minha volta derretendo e que minha mente está em um vácuo mental que chega a ser confortável.
Eu poderia escrever a noite inteira mas não tenho determinação para isso, então apenas me sento no escuro, quando será que essa caneta será meu ganha pão? Não quero que minhas mãos se encham de calos e que meus olhos se encham de pés de galinhas, percebo ausência de sorrisos nas minhas últimas fotos, isso significa que falhei em fugir do que se chama de vida adulta mas ela sempre estará ali, como um grande muro alto de mais para subir, alto de mais para pular e é o que muitos fazem, mas sou covarde de mais para tal façanha ou corajoso de mais em escolher sempre lutar contra esses ratos e suas pestes que contaminam todos ao meu redor, não a um lugar para onde olho que eles não estejam lá sorrateiros, por trás de olhares vazios e de uma rotina torturante, as estrelas estão perdendo o brilho a cada noite, a sensação de um beijo não dura mais que uma noite, o calor de um abraço faz falta ao me deitar, nada disso se encontra em salas mórbidas, esfumaçadas com garrafas vazias e cinzas pelo chão, então o calor do sol no rosto ajuda um pouco a continuar pois não a outra opção a não ser, simplesmente continuar, até o ponto que vou ser obrigado a parar, outras pessoas são obrigadas a parar antes de outras, sem esperamos por isso e com isso vamos morrendo por partes, deixando migalhas para os corvos por todo o caminho, sei que não a como voltar, então aprendo a lidar com o sentimento de perda e impotência e frustração, pois somos muito mais fracos do que achamos, somos muito mais carentes do achamos e aos poucos como a morte das samambaias, vermes e baratas consomem toda a carne, até mesmo as roupas e o que eu serei quando tudo se tornar nada, além de mais uma pequena porção e insignificante de nada que compõe toda essa imensidão tão minúscula?
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