
EM CERTAS NOITES
Data 16/02/2018 17:10:56 | Tópico: Poemas
| Em certas noites, ela chegava tentando esboçar um sorriso amarelo como quem tenta levantar mil toneladas,
acomodava-se em silêncio e, de repente, começava a manusear o verbo volátil como um hábil malabarista de adagas afiadas;
e eu, espremido entre a tentativa de manutenção da calma e a entenebrecida vontade de reagir com o ego em chamas.
Sim, em certas noites – prolíficas em chuvas e sombras – não parecia ser ela que estava ali na minha frente, com o siso do ego inflamado.
Nestas noites, dava para perceber a dolorosa confusão que lhe havia entre paradoxais labirintos da mente,
como que perdida entre sinuosas trilhas de lava-pés tendo que decidir, sufocada e angustiadamente, que caminho tomar com relação a nós dois,
que nos pendulávamos incautos entre o voo e a queda, o amor e a cólera, a loucura e a sanidade, a vida e a morte, enfim.
Sim, dava até para sentir os gritos de dor como que a pedir socorro, ao grande sonho de nuvens brancas que se iam tingindo de sombras nossas.
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