
Cem pessoas (Wisława Szymborska)
Data 11/01/2018 12:26:51 | Tópico: Poemas -> Reflexão
|  Em cada cem pessoas Aquelas que sempre sabem mais: cinquenta e duas.
Inseguras de cada passo: quase todo o resto.
Prontas a ajudar, desde que não demore muito: quarenta e nove.
Sempre boas, porque não podem ser de outra maneira: quatro - bem, talvez cinco.
Capazes de admirar sem invejar: dezoito.
Levadas ao erro pela juventude (que passa): sessenta, mais ou menos.
Aquelas com quem é bom não se meter: quarenta e quatro.
Vivem com medo constante de alguma coisa ou alguém: setenta e sete.
Capazes de felicidade: vinte e alguns, no máximo.
Inofensivas sozinhas, selvagens em multidões: mais da metade, por certo.
Cruéis, quando forçadas pelas circunstâncias: é melhor não saber nem aproximadamente.
Peritas em prever: não muitos mais que as peritas em adivinhar.
Tiram da vida nada além de coisas: trinta (mas eu gostaria de estar errada).
Dobradas de dor, sem uma lanterna na escuridão: oitenta e três, mais cedo ou mais tarde.
Aqueles que são justos: uns trinta e cinco. Mas se for difícil de entender: três.
Dignos de simpatia: noventa e nove.
Mortais: cem em cem – um número que não tem variado. Wisława Szymborska, poetisa polonesa, Nobel de Literatura de 1996.
Arte: Manifestación, obra de Antonio Berni (1934) sobre las reivindicaciones laborales, emblema del arte latinoamericano.
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