
Última Carta
Data 24/12/2017 20:42:42 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Estou escrevendo a última carta Permanece em minha mente meus amores e mágoas Minha vida está passando por uma dura etapa Escrevo aqui meus sentimentos e minhas lágrimas Sobre máscaras, sobre paixões falsas Com uma caneta, e não com uma pena, construo a cena No palco, a minha bela Helena E com um cavalo de madeira, a perco, torna-se uma lenda Ato dois, abraço uma pessoa vigarista, Com poucas palavras ela me conquista, perco de vista minha trilha O terceiro é uma comédia, salve Dante Eis que surge uma “divina” tragédia, criada por ignorantes Ao badalar das quatro horas, o tempo congela, estou só, na janela E a vista dela reflete uma neblina, que deixa a visão cega E nesta peça, torno-me um apreciador de palavras belas E recebo dos céus eternos versos poéticos Que se tornaram meus médicos.
Escrevo aqui uma dedicatória infeliz Dedico a uma pessoa que já não mais está aqui Dedico a quem desistiu de mim Olhos de pura rocha negra Lábios que atraíram para a teia Meiga, traiçoeira, brincalhona, uma cobra do deserto Esperando para atacar seu alvo predileto, Um coração indefeso, cheio de bons desejos Uma súcubo, que me seduziu com beijos, E tomou de mim meus belos momentos.
A vida está raiando novamente Estou me lembrando como ficar contente E nesta carta estarei escrevendo o passado Pois quero esquecer e voltar a ser saudável Vivenciei muitas ilusões, me feri com separações Mereço um descanso, mesmo não sendo um sábio Sofri muitos atrasos, muitos golpes baixos Nesta carta eu darei um fim as dores, tamparei os buracos.
Escrevo aqui os lamentos que vivi Os meios que encontrei para conseguir prosseguir Em uma simples carta eu resumo minha dor Com alguns parágrafos eu amenizo meu rancor Com uma folha de papel eu me sinto um sonhador Escrevo aqui almejando a paz ao meu interior Despedindo de todos aqueles que me enxergavam como um objeto Fugirei para longe, para o mar aberto.
Escrevo aqui versos líricos Expondo em cada palavra como me sinto Em cada ponto final, eu evito cair no abismo Como um pardal eu me sinto livre, Passando por entre as linhas da paixão, sem perder o equilíbrio E, talvez depois de alguns dias, me torne um bom inquilino Ao me deitar, eu sonho, e essa carta é meu campo, Onde plantei o passado, onde colherei o futuro Onde escrevo o presente, E onde esquecerei os que ficaram ausentes.
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