
POESIA DO ALÉM
Data 19/11/2017 21:09:35 | Tópico: Poemas
| As vezes me chegam esses sinais do que já foi Mas, deixou rastros em minha memória: Da minha cadela preferida que se recusava a pernoitar no quintal, Desobedecendo as ordens de meus pais, Preferia o quentinho da minha cama; O carinho de minha galinha preferida ao mordiscar os botões de minha camisa; Os camundongos que me eram presenteados pelo meu primeiro gato; As broncas de minha mãe quando me recusava a aceitar os segredos da matemática ; Os livros novos que meu pai trazia para os filhos, que eram devorados Como se fossem deliciosos quitutes; As festas para Santo Antônio que minha avó fazia em nosso quintal, Com fogueira , chipas e um doce de leite inesquecível; A anarquia que faziam a coleção de gatos e cães de meus pais As tardes passadas jogando futebol na lama ; As viagens de bicicleta em Jacarepaguá, Corumbá e na Rural; O trauma que a escola tradicional me fazia; O agradável trabalho na horta, nos tempos de república ; A farra com meus filhos pequenos sempre com gosto de quero mais; O trabalho no Pantanal que mais parecia diversão ; A conversa fiada com os amigos e muitas geladas nos botecos da vida; Algumas mulheres e suas manhas que um dia enfeitiçaram minha vida; Meus aniversários de criança que sempre detestei; Os bailes de carnaval quando criança que eram um sofrimento ; As aulas de religião, de moral e cívica, horrores de um passado distante; A primeira viagem de carona para a Bahia, dormir na rua, ir em cima da carga de caminhão , Aventuras que ficam entranhadas na gente pra sempre; Os Miseráveis, contado de forma estilizada ,por meu pai ,para seus filhos pequenos; Um mundo simples e harmonioso que me acompanhava Nas andanças por caminhos sem fim, Um tempo que se recusa a abandonar minha alma.
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