O choro da poesia

Data 26/10/2017 12:21:21 | Tópico: Prosas Poéticas


No destempero da poesia,
Mãos se curvam
Na vaga luz da madrugada,
E nas curvas da lua
Procuram o amanhã
Que lhes adoce a ilusão.
Oh! Que loucura!
Encharcam o papel
Com lágrimas de tinta
Em um choro secular,
Choro excecional,
Intransmissível
E sem imitações.
Mas homens choram,
Tentam imitar estrelas
Perdidas no tempo
E eternizadas
Nas curvas da vida.
Homens choram a dor
Que as mãos não curam,
Por mais que moldassem
Palavras em quiméricos versos
Que a mente lhes fornece.
Mãos que se curvam
Na dor das palavras
Não trazem ao presente
O gemido dos papiros
Que alguma mão pintara
Atrás do tempo
Com versos d’ouro

Adelino Gomes-nhaca




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