
Há um rosto que é o teu nome
Data 06/10/2017 10:32:53 | Tópico: Poemas
| [Há um som que é o teu nome. As palavras que o compõem são como animais sonâmbulos Que percorrem corredores imensos de florestas lamacentas E que deambulam pela noite como felinos famintos.
Este ruído é como o abandono da primeira infância, Distância disforme que se cria entre o som das pingas de água a bater no chão E o momento em que esse mesmo som entra pelos nossos ouvidos.
O teu rosto é, então, este prolongamento dançante da chuva, Que perpetua desenhos sobre as vidraças, em jeito de poesia atemporal, Como se fossemos harmoniosos e viçosos malmequeres de folhas cheias.
Há um som que edifica o teu nome. Eu sou o poeta e tu és este rosto inteiro e estas palavras todas, Histórias que se eternizam sob a forma de magistral Prolongamento de algum lugar comum que imortalizamos.
O vento assobia entre os ramos húmidos das macieiras Enquanto o teu rosto se ergue sobre esta mesma janela, Onde o teu nome adquire a paz de um rosto que ocuparei.
As gotas da chuva crescem na eternidade e é como se as palavras fossem seres perfeitos Que atravessam perpetuamente os nossos corpos, Num lugar infinito onde as nossas partes nos partem e apartam.
Há um som que rasura o teu nome. E as palavras, agora riscadas a giz, que compõem o teu nome inteiro São como o silêncio de duas mãos que se afastam E que se distanciam no tempo, sobre tempo nenhum!]
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