
verão 17
Data 24/09/2017 22:31:39 | Tópico: Poemas
| o mar irrompe subtil arrastando as correntes frias das profundezas para libertar o amor quente em vagas sobre ilhas encantadas
repouso e silêncio escutando os búzios que ecoam agora que descemos a montanha de luz
dia suave e cálido procurando essência interior
onde a lua desagua sobre o sol inspirando alquimia de sentidos e razões
quando as flores sussuram emoções e é palpável a energia envolvendo os corações
o fogo colorido na noite em cascata d'ouro anuncia minha cidade de perdição é bela a vida! é chegado o verão!
reformulação do beijo em combustão entre raízes e sopros de emoção buscando a razão do sonho e da ilusão
o rugido interior, a força primal, o pêlo flamejante animal palpitante que se anima com o calor e chora a doçura perdida em flor
fios do destino na mão ponderando a magia, emanação fulgurante da fantasia, da volúpia que sussurra o verão
coração de manjericão sorrindo insone de acarinhar a vida e se imaginar a brilhar no horizonte dos sentidos
iogurte natural e lychees perfumados no doce sabor de acordar e saborear puro cacao, a amargura selvagem,,,
trilhos de afecto através do meu coração príncipe dos mares, cativado por sereias,,, desceu fundo a ilusão sobre a realidade
precipitação e golpe profundo num só momento atravessando toda a pele nervo interior intacto,,, tão belo e fecundo...
palpitações divagações, desejos, hesitações distâncias momentâneas embarcações
a palavra e o silêncio convergem no mais íntimo sentido do pensamento colidindo na margem do instinto das estrelas
o que em mim sobra, fulgura e se reaviva para imprimir gestos, suaves toques de carinho e cuidar o tempo, o silêncio e o som em que respiro
ter a coragem de brotar do interior da terra florescer e raiar, acreditar e prometer voando no vento em volúpia
quando tudo se desfaz num fogo voraz de lágrimas a vida foge e flutua longe de sentido
correr para casa, correr sem fim num mundo incandescente de sorrisos
guizos que ecoam entre o sonho e a vertigem um pouco de fôlego para encantar a noite
tempo precioso e o mar tão calmo... embalo suave na espuma do abraço...
sono profundo, dor que se arrasta... fragilidade extrema e condescendência
amor que avive o coração e lhe instile coragem na voragem sentimental dos elementos quando invadem pele adentro e ardem...
sombreados arrebatamentos de cristal tilintando e chorando na brandura do mar adormecido entre o leite e o leito do sonho...
imparável, de tarefa em tarefa, fera em fera mundo em mundo, momento a momento
a degladiar a expressão de ser, sentir, sofrer
momento de vertigem de amor e de mar...
mergulho e abraço do coração da noite ao raiar do dia
o mar a crescer
nuvens e desafios preparação, planeamento, implementação excentricidade, comoção, sobre a realidade
caminhar só pelo mundo percorrer, sentir, perder, falhar, chorar na extremidade da doçura encontrar saída...
impulso colossal de um oceano o seu dorso elevando-me, acarinhando e nutrindo...
voo, viajo, inflinjo a velocidade sobre o meu corpo quando a alma infla sua vela delicada ao vento da paisagem
chego trémulo mergulho infindo e faiscante nesse instante maravilhoso e ébrio de paixão
exaustão de tanta fuga e encontro um momento de sono e novo fôlego em devaneios pela terra encantada...
quero deslizar como um rio até ao mar saboreando cada curva do percurso cada impulso na corrente do meu pulso
caí, fiquei dorido mas não parti a pedra e a terra do impacto fundem-se em mim
a minha ilusão de desolação na solidão é imaginar respirar e cantar para amar
o espírito fulge, exalta, amplia o olhar ao longo do rio, sobre o mar no dorso solar
todo o êxtase de meandros que estreitam entre o sonho e a pele, na profundidade em que os beijos me afundam...
elementos que borbulham, rasgos, lábios... convulsões de embriaguez e naufrágios...
vigilante do coração procurando substância no desacordo emocional resvalando em voo
a vibração que percorre o meu corpo da noite profunda arremessado em brilho líquido para a luz fulgente
agitação e força acordando a vontade de desejar e ser a amplitude dos sonhos mesmo quando soçobram nas espumas
tensão máxima sobre o corpo extenuado que luta por erguer e nutrir seu pomo d'ouro
eis a vida renascida na árvore do navegante cruzando o coração e rasgando as águas...
até às imagens se incendiarem no arrebol... e a noite descer para adormecer quem chora
crepúsculo de vénus ante a aurora encarnecida de amor
ao resvalar no sonho vivificando a solidão
escorrer como lágrima no bosque do coração
aguardando o momento da erupção da terra entre o orvalho, a memória e a ilusão volátil
lua cheia de cor a tinta a correr em breve carícia
bem ao centro do coração despido em luar
minha unção, meu suave balouçar...
imaginar e sentir, fluir e navegar...
tempestade colossal, de vento e de fogo,,, ardente, visceral, na profunda essência,,,
sobre vivência, coincidência, renovação,,, assunção, coerência, penitência ou não...
persistir na pulsação, nos veios e nas veias que partem do coração e se estendem pela vida
mar e mergulho, marulho e respingo solto no ar
violência intensa, rumor de revolução,,, reconexão com um passado perdido na bruma,,, caruma que estala nos dedos,,,
aflição, sufoco, realização sobre o tempo,,, fulminante e áspero, o desespero cândido,,,
entre o fumo e a cinza a torre sobre a praia... subindo e descendo degraus de melancolia... com o coração na mão e a vida por um fio...
tensão que se despenha em fervor de lágrimas como um cílio na noite de vento e secura...
estou a vestir a armadura e a polir o escudo para enfrentar o último sopro de fogo
entre a bruma à entrada da floresta ígnea...
seguindo o instinto, cumprindo o trilho e abrindo, coração e alma, ao que sinto
o fado segue-me, o fado chama-me sem fim... uma e outra vez ergue-se a voz na noite afim ao desengano que abana a tontura em mim...
nova lua, novo sangue, crescente na lâmina novo ânimo, à floresta que renasce por amor e a dor que tanto anseia, só ateia novo fogo...
quanto cresço e embalo das cinzas memória no leito de saudade e desvelo, meu zelo velo
o que ontem fui não mais serei outra vez, cor e o que vês, neste reflexo, espelho meu, é dor
lenço branco, manto negro, aspirando cinza que devolva à terra de minha alma a tinta...
ansiedade de chegar e dar, prover, regenerar
agito o desespero, confronto, folhas e falhas que me caiem, até desfalecer num sopro...
quero serenar, ser mais doce e terno, suspiro
terra que me chama, planeta d' árvore e mar a bailar como criança nas suas vagas e asas...
coração pulsante da floresta na noite de luar entre a ursa e cassiopeia beijo a estrela polar
fervo, excedo, no limite do sonho expludo...
rearranjo o espaço, limpo, organizo o sonho de céu e luar, debruo camadas de proteção...
e agora que o sol quase cai, qual o mel ainda, lentamente gotejando, para me encontrar...
resguardo do impacto, entre essências, sons e névoa... que dissipo lentamente até soprar
noites de pesadelos sucessivas e a ansiedade sinfónica, ululante, arrastando ondas e luar
esvoaçando entre amoras e malvasia dorida para lavar, pintar, aparar e viver a lua cheia
os lábios escorrem o sangue da insónia feroz o mundo muda sob as estrelas e a boca é foz
dançando no coração da floresta virgem, sol flor tão bela desenhando o sonho sobre mim
ilusões de esgrima entre copas cintilando... a estrela arquejando entre folhas e agulhas...
banho-me em lágrimas que escorrem lençóis de prazer e luar, a noite suspensa num barco correndo a floresta docemente, em pés de pã
agora a hora devora o pouco que sobra no ar
penas caiem com as folhas e a rede eleva-as, os pés firmam sobre o tapete de galhos rubro quando âmbar reflete tempestades passadas
tento organizar com grande contenção,,, preâmbulos de sonhos e ligações elementais
elevar-me na humildade das raízes da terra que em breve descerá às profundezas cruas de penumbra e frio, entre os corpos celestes
emoção gotejando dos meus olhos d' orvalho a água correndo tão próximo, meu rio de lua tua candura ao remares sobre o mar de uvas
desespero no pântano, de vapores sulfúricos o tempo dolente esperando o sonho de luar,,, bambuliante intranquilidade de asas negras
carvalhos revolvem-me entranhas e limpam agudamente, a alma carregada de miragens, viagens por santuários e florestas da virgem
choques momentâneos, faíscas de fogo fátuo, abalos súbitos reclamam serenidade e sonho soprando gentilmente pelos seres e pela vida
floresta que liberto, voando em asas carmim através de horizontes longínquos, sustém-se, a esperança do reencontro, além deste sopro
vento suave do espírito no bosque iluminado de candura e desejo, ensejo, por doce alvura, a ventura de meu coração nas vagas se eleva e o que leva, já só responde por si, triste fado
pedaços rasgados de minha alma, de tortura e desespero, creio no sangue que vos escorre e deposito no altar, cornucópia alada de mel
longe dos sonhos de vã ilusão, soluçando sal sobre as feridas que me rasgam, vaga de fel, teias que me cobrem a face e afagam ardor,,,
rendido ao amor espiritual, a luz, o perfume brotando em cascatas ressoando incessantes
e o abrigo da minha alma recolhe em cachos para levar pela noite todo o dia num só trago
murmúrios alongam o poente incandescente enquanto a cidade sente e inscreve memória
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